O Design Instrucional morreu?

Nesse final de ano lancei uma pesquisa para entender melhor o DI na visão do DI e refleti muito sobre o papel do Designer Instrucional…

Ainda há espaço para uma visão romântico do design instrucional?

Por quê não somos valorizados em nossas empresas?

Efetivamente fazemos diferença?

O Design Instrucional acabou?

 

Não foram poucas as vezes em que vi os conhecimentos de um Designer Instrucional serem colocados de lado em um função dos mais variados motivos: urgência da entrega do projeto, ego, falta de conhecimento do processo por parte do cliente, gestores mal preparados…

O cliente chega com a solução e você tem que executar, pronto!

Eu me arriscaria a dizer que você conhece pelo menos uma pessoa que já fez praticamente a mesma coisa que seus clientes, mas em outro contexto: sabe quando você vai ao médico e diz pra ele “doutor, estou com dor x, é de família, preciso de uma receita do remédio y”… você já tem a solução, mas precisa de uma receita…

Bom, ainda vejo muito médico clinicando, mas vejo cada vez menos designers instrucionais fazendo seu trabalho.

O Design Instrucional já era? O Designer Instrucional morreu? Quem é o responsável por isso?

O Design Instrucional morreu
Estão roubando nossos pacotes SCORM?! – Imagem: Freepik

A culpa é do processo

O que coloca a gente no limbo são os nossos processos! Ninguém quer esperar nossa análise de conteúdo, “perder tempo” discutindo estratégia e validando roteiro, não há tempo para fazer um diagnóstico do problema e por aí vai… Muitas vezes o cliente chega com a solução do problema que ele acha que tem, mas precisa de um SCORM, né… então chama o DI ☹

Mas, vamos depilar nosso <3, tirar o rancor e tentar entender se estamos mesmo mortos ou não.

Em geral, quando falamos de processo em design instrucional vem à mente o modelo ADDIE, processo simples e linear, mas que pode ser longo se não for respeitado, correndo o risco de ser abandonado no meio do projeto.

~já teve série aqui no blog para falar de cada etapa

Análise, Design, Desenvolvimento, Implementação e Avaliação ~

Em tempos de metodologias ágeis como o SCRUM ou SPRINT – que são fantásticas para o que se propõem – vejo que as pessoas querem mais agilidade também nos processos de DI, então muitos fornecedores criam seus próprios processos em busca dessa velocidade de produção e entrega, mas, muitas vezes, isso beneficia mais a fábrica de conteúdo do que a experiência de aprendizagem que estamos criando.

Saindo um pouco do processo de desenvolvimento e indo lá para a ponta, temos os resultados do treinamento, os KPIs. Se você atua como DI, seja sincer@ comigo: hoje, você tem tempo de avaliar a efetividade de seus treinamentos? Quantas Avaliações de Reação você já leu? Quais informações você tirou desses relatórios? O que foi feito a partir dessa análise?

Talvez o mais comum aí no seu dia a dia seja o cliente reclamar que o curso não foi efetivo, não deu resultado, que ele não viu mudança de comportamento em sua equipe. Talvez o Treinamento tenha até sido o “culpado” pelo prejuízo da empresa em algum momento.

Isso me lembrou uma situação de briefing que eu estava fazendo com um cliente e eu perguntei:

– por quê você precisa de um treinamento online para esse tema?

– bom, por que vou passar por Auditoria daqui a 15 dias!

#chorei

A culpa é das ferramentas de autoria

Outro ponto: hoje temos ferramentas de autoria cada vez mais fáceis de usar, intuitivas e de fácil acesso – e isso é ótimo! Mas para alguns, isso quer dizer que qualquer um que possa ter acesso a essas ferramentas é um Designer Instrucional.

Não acho que é por aí… você pode ter talento, você pode ter estudado muito, você pode ter talento e ter estudado muito e, assim, desenvolver soluções incríveis usando ferramenta de autoria. Mas só saber usar a ferramenta, por si só, faz a pessoa tão DI quanto o fato de saber usar uma faca me faz uma chef de cozinha.

Outro dia li no Trendwatching que o a-commerce é uma tendência forte, trata-se do comércio automatizado que acontece quando você pode fazer compras com apenas 1 clique, por exemplo, em apps que economizam dinheiro para você, como o DIgit, o Finery, que te mostra promoções de roupas de acordo com o que falta no seu guarda-roupas e ainda o “Smile to pay” do chinês Alipay.

É como estar com a faca e o queijo na mão! Tem um bom PPT, joga lá e scormiza, e záz! Tem um curso pronto…

O Design Instrucional morreu

A culpa é do Designer Instrucional

A gente só quer fazer e-Learning… mas o e-Leaning também está morrendo! É o que diz esse relatório aqui da Metaari.

Na empresa em que trabalho hoje, há um público de cerca de 5000 pessoas, que por característica de trabalho são quase nômades, e a maioria não tem um computador, apenas tablets e smartphones.

O relatório fala do curso autoinstrucional, o basicão mesmo, que vem cedendo lugar ao mobile learning, realidade virtual e aumentada, gamificação… distanciando as soluções de treinamento dos acessos restritos em desktops ou notebooks.

Fato é que o e-Learning continua aí, assim como a TV não substituiu o rádio, o e-book não substituiu o livro físico e por aí vai…

Outra coisa que já escutei: “não entendo o que vocês dizem, vocês são muito nerds!”

Bom, resolvi dar uma olhada no Google sobre o que é nerd…  foi divertido: falou de feiura, adolescência, não gostam de beber, tem problemas sociais… #morri

 

Não sei você, mas eu não me identifiquei com nada disso aí e não estou a fim de me encaixar em estereótipo algum. Recomendo que você faça o mesmo.

Vou acreditar que as pessoas entendem por nerd, uma pessoa que estudou bastante antes de falar sobre determinado tema.

Bom, aí o que a gente faz? Se Designer Instrucional é tudo maluco, então vamos mudar o nome dele, daí tem Designer Educacional, Desenhista de Soluções de Aprendizagem, Designer de Experiência de Aprendizagem… e tudo bem, não há na da de errado com isso, desde que tudo esteja alinhado.

Outro ponto, como é papel do Designer Instrucional garantir que o escopo do projeto foi plenamente atendido, logo se o projeto não deu certo a culpa é do DI.

Sim, o DI tem o papel de mediar uma equipe multidisciplinar ao longo do projeto, mas sabe, atuando na indústria aérea aprendi que um acidente nunca é culpa de uma pessoa, mas sim de várias pessoas e de várias circunstâncias. Entendo que o mesmo se passa em um projeto de e-learning, há muitas pessoas envolvidas… culpar o DI, ou qualquer um dos participantes do projeto, isoladamente é cruel.

 

Muito bem, então até aqui entendemos que não temos tempo para o ADDIE, que todo mundo pode ser DI e que o DI é doidão… some-se a isso o fato de que não temos dinheiro, já que os orçamentos estão cada vez mais enxutos e fazer mais com menos é coisa do passado, a onda agora é fazer muito mais com quase nada!

Então, quem é o culpado pelo sumiço do Design Instrucional?

Não há culpados! E o Designer Instrucional não está morrendo!

O que precisamos é nos reinventar, nos adaptarmos ao cenário atual e garantir o máximo possível em qualidade e excelência.

Obviamente, atuando no mercado corporativo, eu sei que pode acontecer de um conteúdo ser empurrado goela a baixo sem muito, ou quase nada, da nossa interferência… mas precisamos nos manter guardiões do Design Instrucional.

O design Instrucional morreu
DI super hero!! – Imagem: Freepik

Como fazer isso?

– procure brechas para mostrar os benefícios de um processo bem cumprido (eu disse cumprido e não comprido, hein!!)

– foque na experiência do aluno

– divulgue boas experiências, bons projetos com todos seus clientes

– busque oportunidades de intervenção (Dá pra melhorar um texto? Tem um parágrafo que podia ser apresentado como infográfico? Esse infográfico estático podia estar animado? Posso trabalhar essas fotos?)

– compartilhe textos sobre Design Instrucional (pode começar divulgando esse post aqui 😉), as pessoas tendem a rejeitar aquilo que não conhecem.

 

Você tem alguma outra dica para avivar o Design Instrucional?

Compartilha aqui nos comentários!


10 Comentários


  1. Nossa, amei o texto. Me identifiquei com as situações. Realmente, nós, DIs malucos, passamos por muitos desafios durante o projeto. Uma boa dica é fazermos um bom briefing é um termo de acordo e levantamento de expectativas. Valeu!

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  2. Adorei o texto!
    Achei a questão do tempo um tema bastante sensível a ser discutido.
    Beijão!

    Responder

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