Como contratar Designer Instrucional

Você implantou e-Learning, escolheu o melhor LMS, comprou alguns cursos de prateleira e agora, com a demanda por cursos on-line aumentando, você precisa de um profissional para te ajudar a desenvolver treinamentos engajadores a um custo mais razoável.

Esse é o seu cenário atual ou em curto prazo?

Então vem que eu te ajudo a encarar esse processo de seleção!

 

CLAREZA

Em primeiro lugar você precisa ter clareza da vaga e das tarefas que o Designer Instrucional vai exercer na sua equipe, nem sempre a área de RH tem conhecimento sobre essa profissão ou um Job Description pronto, então você, como gestor ou gestora dessa pessoa deve elaborar algo como no exemplo abaixo:


Designer Instrucional

JOB DESCRIPTION (exemplo)

Responsabilidades

– identificar necessidades de treinamento;

– criar atividades de aprendizagem engajadoras;

– elaborar roteiros para e-learning;

– validar soluções de treinamento on-line de terceiros;

– implementar soluções completas de aprendizagem, envolvendo as etapas de análise, desenho, desenvolvimento e logística;

– avaliar efetividade das ações de treinamento;

– propor melhorias no processo interno de design instrucional.

Requisitos obrigatórios

– experiência anterior de, no mínimo, 12 meses;

– excelente conhecimento em andragogia e modelos de design instrucional;

– conhecimento na ferramenta de autoria Captivate e Applique

– formação superior em Design Instrucional.

Requisitos desejáveis

– conhecimento em gestão do LMS webAULA;

– nível intermediário em Inglês (leitura e conversação)

Possibilidade de Trabalho remoto:  (x) sim           (  ) não

Responde para: Coordenador de Treinamento

Responsável por: sem equipe direta


Sugiro que você consulte a Classificação Brasileira de Ocupações do Ministério do Trabalho, lá você encontra toda a descrição das atribuições do Designer Instrucional.

ANÁLISE

Depois de publicar a vaga, você certamente receberá muitos currículos e portfólios. Analise cuidadosamente cada um e, o mais importante: avalie como o candidato aplicou o design instrucional no material enviado.

Considere alguns critérios, como: design, criatividade, qualidade da escrita e aderência ao perfil que você busca.

 

PERFIL DO PROFISSIONAL

Fique atento a algumas competências inerentes ao exercício de profissão e defina o quão relevante cada uma delas é para a sua organização e para fazer parte de seu time.

Segundo o Fórum Econômico Mundial, o profissional de 2020 deve apresentar as seguintes competências (nessa ordem de importância):

 

  1. Resolução de problemas complexos

Vivemos um mundo VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíquo) e o profissional precisa estar atento a isso e fazer parte da solução.

  1. Pensamento crítico

Analisar um problema considerando diferentes pontos de vista, fazendo as perguntas certas e com comunicação clara.

O designer instrucional é o ponto central no desenho de soluções, é ele quem se comunica com os diferentes atores do processo, logo essa competência é extremamente importante.

  1. Criatividade

Buscar soluções e não empecilhos.

Segundo Murilo Gun, especialista em criatividade, o lance é usar a combinatividade, ou seja, combinar diferentes coisas já existentes; e para colocar a criatividade em prática é preciso ter repertório, por isso busque saber do candidato qual o repertório dele.

  1. Gestão de pessoas e talentos

Se a empresa possui um plano de carreira para o profissional e pretende desenvolvê-lo, é importante observar se o candidato tem essa característica.

  1. Coordenação e facilitação de processos

O processo de design instrucional pode ser longo e envolver muita gente, dependendo do papel que treinamento tem na organização (atividade-fim ou atividade-meio), assim é importante que o profissional, mesmo em início de carreira, aponte para essa competência.

  1. Inteligência emocional

Escuta ativa, disposição para ajudar, ter autocontrole…

  1. Capacidade de julgamento e tomada de decisão

Aplicação das competências 1, 2 e 6.

  1. Orientação para servir

O trabalho em equipe requer serviço, e o designer instrucional não faz nada sozinho…

  1. Negociação

Saber argumentar e negociar com stakeholders envolvidos no projeto (cliente, fornecedor, conteudista, aluno, gestores etc).

  1. Flexibilidade cognitiva

Aprender, desaprender e reaprender.

 

CONVERSA

Vou deixar alguns exemplos de perguntas aqui, mas você pode – e deve – adaptá-las à realidade da sua empresa, ao cargo e à natureza do trabalho na sua equipe.

Questões relacionadas às tarefas

  1. Como você mede a eficácia de um treinamento?
  2. Como é o seu relacionamento com os conteudistas?
  3. Como você lida com conteudistas difíceis?
  4. Qual o seu nível de conhecimento sobre a ferramenta de autoria x?
  5. Fale sobre o seu processo de design instrucional.

Questões comportamentais

  1. Fale sobre um projeto difícil que você desenvolve. Como superou os desafios?
  2. Você já trabalhou em outra função que não Designer Instrucional? Se sim, como isso ajudou a construir sua carreira como DI?
  3. Fale sobre um projeto bem sucedido que participou. Quais os resultados percebidos pela organização impactada?

Questões situacionais

  1. Considerando que precisamos desenvolver um curso rápido para ensinar os funcionários a utilizarem um novo software, você desenharia soluções distintas para o pessoal técnico e não-técnico? Por quê?
  2. Quais recursos você utilizaria para deixar um curso teórico mais interessante?
  3. Temos o desafio de criar um e-learning sobre o assunto x, considerando a Taxonomia de Bloom, qual domínio de aprendizagem você utilizaria?

 

O que não fazer!

Há algumas más práticas no mercado como:

– não divulgar o valor do salário.

Desculpem empresas, amamos o que fazemos, mas temos contas a pagar. Já ouvi casos de pessoas que participaram de várias fases do processo para no, final, descobrir que o salário era muito baixo (principalmente considerando os requisitos exigidos).

– convocar candidatos para elaborarem propostas pedagógicas e usar esse material internamente.

É comum que algumas empresas apresentem desafios aos candidatos (necessidades reais da empresa) e peçam que eles desenhem soluções para que sejam utilizadas depois, algo como um brainstorm ou consultoria gratuita.

Na minha opinião isso é desrespeitoso e imoral!

 

Tenha em conta que o candidato pode ser um cliente de sua empresa e, ainda que isso não aconteça, o processo de seleção passa a imagem da empresa… qual a imagem que sua empresa deseja transmitir?

 

Esse post não pretende encerrar o tema de seleção de designers instrucionais, mas te dá alguns inputs para iniciar essa contratação.

Se você gostaria que eu abordasse outro aspecto desse processo, é só deixar aqui nos comentários 😉

 

Lembrando que você pode aplicar o que te contei aqui nesse post, mas se preferir eu posso te ajudar com esse processo de seleção de DIs, é só me chamar no e-mail ou por whatsapp.

2 Comentários


  1. Bom Dia!!
    Cheguei a essa nova área devido a minha formação de professores e pedagogia, conheci e me identifiquei com DI pela vontade de aprender fazer cursos online uma vez que daqui algum será mais útil ao treinando/aluno uma aula virtual do que ir aula presencial. Estou interessada em fazer a pós de Design .

    Responder

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