Flipped Classroom – tudo o que você precisa saber para adotar a sala de aula invertida

No último dia 16 estive na ABTD para o workshop Como utilizar a Metodologia da Sala de Aula Invertida em Treinamentos com o Wellington Moreira, da Caput Consultoria e, nesse post, quero comentar com você o que vi por lá e a minha visão sobre esse tema.

O que é sala de aula invertida?

É uma estratégia de aprendizagem que inverte o modelo tradicional de sala de aula, ou seja, no método tradicional o professor ensina e o aluno resolve problemas depois, sozinho em casa – se você tem filhos, provavelmente é assim que eles estão aprendendo. Na Sala de Aula Invertida, ele estuda o conteúdo antes, sozinho, e resolve o problema em sala com o apoio do professor e do grupo, colocando o conteúdo em prática.

Esse conteúdo prévio geralmente é entregue me formato digital.

Aqui no blog, a gente conversa muito sobre soluções totalmente on-line, mas é importante que você conheça também essa metodologia que pode ser desenhada junto com o pessoal do Treinamento Presencial.

Qual a diferença entre Flipped Classroom e Blended Learning?

Uma sala de aula invertida pode ser um blended, mas um blended não é necessariamente um flipped, entendeu?

No Blended você tem parte do conteúdo apresentado em aula presencial, parte on-line; e isso pode ser uma trilha de aprendizagem, um complemento, um pré-work ou pós-work.

Pilares da aprendizagem invertida

Gringo curte um acrônimo e, como a metodologia surgiu por lá, os pilares estão fundamentados nas letras FLIP (em inglês, virar):

Pilares da Aprendizagem Invertida

Principal diferença entre modelo tradicional e a Flipped classroom

No modelo tradicional de sala de aula o personagem principal é o professor, é ele quem detém o conteúdo, é ele quem fala e expõe o conteúdo para os alunos pela primeira vez. Depois da aula vêm os exercícios para fixação do conteúdo ou resolução de problemas.

Na Sala de Aula Invertida a atenção está centrada no aluno, ele tem contato com o conteúdo antes mesmo de ouvir o professor, o aluno é protagonista de seu aprendizado. O professor é um facilitador do aprendizado e está ali para tirar dúvidas e fomentar discussões.

Taxonomia de Bloom na Flipped Classroom

Nesse post aqui eu falei um pouco sobre a Taxonomia de Bloom; para esse momento de Sala de Aula Invertida eu acredito que a Taxonomia poderia também ser invertida, já que essa metodologia pressupõe muito mais momentos de criação, avaliação, análise e aplicação (que  acontecem em sala) e momentos mais curtos de compreensão e recordação (antes da sala).

Taxonomia de Bloom na Aprendizagem Invertida

Vantagens

– não tem “lição de casa”,

– valorização do compromisso do aluno com seu aprendizado,

– engajamento do aluno com o conteúdo por meio de materiais curtos,

– o momento presencial é melhor aproveitado,

– cada um aprende no seu tempo e no encontro presencial estão todos na mesma página.

Desafios

– todos precisam ter acessos aos recursos disponibilizados antes da aula (acesso a vídeos etc),

– não há garantia de que todos tenham acessado o material (entretanto há maneiras de incentivá-lo),

– envolve trabalho prévio de engajamento do aluno; dependendo do recurso de compartilhamento do material, pode inclusive haver um trabalho de cocriação aí (usando por exemplo o Google Classroom ou Fóruns de discussão).

Como implementar

  1. Começando do começo: entendendo o objetivo, o porquê você quer “flipar” sua aula. Quais os benefícios para seu aluno e para sua empresa? Que valor você está agregando?

Aplicar a Sala de Aula Invertida não é tarefa fácil, então faça valer a pena e tenha as respostas na ponta da língua.

  1. Comece pelo mais difícil

Escolha um tema que os alunos tenham dificuldade e envie vídeo e/ou texto curtos que expliquem o conceito. Em sala, responda as perguntas, facilite debates e discussões em grupo.

  1. Esteja certo de que o conteúdo é acessível… não adianta enviar link de um vídeo no youtube se esse canal tem acesso bloqueado na empresa.
  2. Comece pequeno! Não precisa partir de uma disciplina inteira, tente a partir de um tema…

Boas práticas

O Wellington finalizou o curso entregando algumas boas práticas:

– faça um piloto (escolha bem o grupo),

– esclareça a proposta ao grupo,

– pré-work deve ser realizado na empresa,

– atente-se às questões técnicas,

– combine as “consequências”,

– busque um parceiro “evangelizado”.

Vivemos o modelo tradicional há séculos e pode haver alguma resistência, tanto por parte do aluno quanto por parte do instrutor, então reforço e adiciono mais algumas dicas para facilitar a mudança dessa cultura:

1- Faça um cronograma

Não basta ter a aula e os materiais prontos, é preciso ter um cronograma que contemple:

– data de envio do conteúdo para o aluno,

– quando serão enviados os lembretes,

– data da aula.

Em geral, esse processo leva ao menos 1 mês.

2- Gestão da mudança

Nem todo mundo gosta de mudança e temos tendência a rejeitar o que não conhecemos, então divulgue os ganhos que o aluno terá com esse novo modelo de sala de aula.

Depois da aula, colha depoimentos e divulgue-os.

3- Organização da sala

O ambiente deve proporcionar a troca de conhecimento… nada de dispor as cadeiras no formato tradicional!

4- Garanta que todos tenham acesso ao material disponibilizado

Verifique se a área de TI não bloqueia nenhum dos recursos.

5- Envolva os alunos no tema antes mesmo do encontro

Crie grupos de discussão, no Facebook, Whatsapp

6- Considere gamificar sua aula

7- Oriente os estudos

Pode parecer óbvio, mas ensine seu aluno a assistir vídeo ou ler um documento: oriente-o a primeiro ler/assistir todo o conteúdo, depois ler novamente tomando notas e, por fim, um terceiro olhar adicionando informação à anotação. Se ele fizer isso, o momento em sala será rico-riquíssimo!

8- Exija provas!

Alunos sempre serão alunos, certo? Se eles não tiverem que comprovar que leram algo, eles não o farão. Considere o uso de algumas ferramentas que conduzam o aluno à leitura, como: perguntas que ele gostaria de esclarecer no encontro presencial, um quiz rápido no início da aula, peça que compartilhem o que entenderem do material enviado.

– mas, assim, eu não estou expondo o aluno?

Bom, o papel dele é fazer o papel dele, sim? De qualquer forma deixe as regras claras.

9- Não traga o conteúdo prévio para a sala de aula

Isso confirma que não era necessário ter acessado o conteúdo para quem não o fez, desacreditando a metodologia. Você pode resgatar ou resumir o que foi disponibilizado, mas não trazer o mesmo material para a sala de aula.

10- Desafie os alunos na resolução de problemas e discussões de alto nível.

11- Falei de vídeo aqui, mas isso não é obrigatório…

Você pode usar áudio, textos, textos com diferentes pontos de vista, jogos, sites… tudo que permita que o aluno inicie sua experiência de aprendizagem.

 

E, para finalizar, o Wellington indicou um livro para maior entendimento do assunto: Sala de Aula Invertida da Editora LTC.

Se você quiser adquirir o livro, facilito para você o link abaixo da Amazon (comprando por esse link o blog recebe uma pequena comissão):

 

Agora me conta: você já participou de algum treinamento com a metodologia de Sala de Aula Invertida? Como foi?

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