Gamification de cursos online, dá pra fazer?

Acho realmente curioso a capacidade que temos de traduzir, adaptar e incorporar termos em inglês: a gente starta projeto, freeza o projeto, gourmetiza o trem todo e depois stalkeia geral! Então, gamification virou gamificação que virou Ludificação, por questões que não vêm ao caso aqui.

Claro que para alguns é importante fazer toda essa diferenciação e tal, mas veja… meu nome é Soani, nem sempre as pessoas acertam de primeira, então quando escuto Suellen, Ane, Sonia, tanto faz, eu atendo do mesmo jeito… talvez por isso esse meu desprendimento.

O fato é que tudo quer dizer a mesma coisa, você escolhe como chama!

Ah, vale dizer que também pode ser chamado de game-based learning.

Game e gamificação é a mesma coisa?

Tem fornecedor por aí que vende gamification como game e cobra uma fortuna, porque fazer um game é caro mesmo… mas comprar um game e comprar uma gamificação são coisas bem distintas!

No game não há explicitamente uma motivação de aprendizagem, mas de entretenimento; já na gamificação sim, há um objetivo de aprendizagem e os elementos de jogo estimulam as pessoas na imersão desse processo.

Elementos de jogo no seu e-learning

Os jogos têm elementos que podem, e devem, ser usados na sua estratégia de aprendizagem, veja alguns deles:

– Competição

– Colaboração

– Desafio: o aluno precisa superar um obstáculo, que pode ser solucionado sozinho ou em equipe ou ainda desafiando outro aluno, possibilitando uma aprendizagem colaborativa.

~ Pausa para história verídica, mas de vez em quando adaptada para poupar vergonha alheia ~
Era uma vez uma empresa que pretendia usar um jogo (não era gamificação, era um game mesmo) para estimular a cooperação e o relacionamento entre equipes que apresentavam um comportamento muito “bairrista”. O jogo escolhido foi Counter Strike, cujo objetivo é eliminar a equipe adversária colocando bombas e fazendo reféns.
Moral da história: não basta ser game, tem que ter objetivo alinhado.
~ Voltamos à programação normal ~

– Feedback instantâneo: só não vale aquele feedback horroroso do Candy Crush, “Você falhou!”

– Incentivos: recompensas que podem ser pontuação, badges ou poderes adquiridos ao concluir uma tarefa ou uma fase.

– Níveis ou fases

– Pontuação

Storytelling: em geral, há uma história por trás dessa estratégia.

Por que você deveria gamificar alguns conteúdos

Um curso gamificado pode engajar mais, promover flow que é um estado de imersão profunda em que o entorno não importa… sabe quando você está jogando vídeo-game e esquece da vida? Ou quando está lendo um livro com uma história incrível e quase passa a fazer parte dela? Isso é flow!

Estado de Flow

O psicólogo húngaro Mihaly Csikszentmihalyi tem um livro sobre esse tema, resultado de sua pesquisa sobre felicidade, e você pode conferir uma palestra dele aqui.

No gráfico abaixo – que vale para vale para a vida! – você pode conferir as emoções provocadas nos eixos desafio x habilidade:

Mihaly Csikszentmihalyi, Finding Flow (1997)

Sugestões de gamificação

– Avaliação de conhecimento

Seja na avaliação diagnóstica, como um mini-jogo ou na avaliação somativa, como um desafio a ser resolvido por meio de apresentação de cases.

– Tomada de decisão

Você pode propor momentos de reflexão ao longo do curso como se fossem etapas a serem vencidas ou milestones que o aluno deve conquistar um conhecimento para avançar para a próxima etapa.

– Simulação de ambiente real

Alguns ambientes não permitem erro, então você pode recriar esses ambientes (uma usina, um avião, um pátio de trens, uma empilhadeira etc) para que o aluno possa interagir com esse meio em segurança. Certa vez vi um curso que se o aluno saísse ileso daquele ambiente, ele tinha um bônus que permitia refazer o curso, mas na versão zumbi… sensacional!

Você também pode gamificar algumas atividades para serem usadas nos cursos presenciais.

Passo a passo da gamificação

1- Tenha clareza sobre o objetivo de aprendizagem

2- Defina a mecânica de jogo a ser usada

  • Você fará alusão a um jogo de tabuleiro, jogo de estratégia…
  • Indique se a navegação será linear ou não-linear, por exemplo: ao concluir determinado desafio, o aluno pode pular uma etapa?);
  • Determine quais elementos de jogo serão usados;

3- Escolha a melhor ferramenta ou fornecedor para a construção do seu curso.

Você pode contar com ferramentas de autoria ou fornecedores de soluções de treinamento on-line.

4- Invista tempo na construção da experiência de aprendizagem.

5- Promova o curso e engaje as pessoas.

Faça algum barulho para o lançamento do curso, explique a estratégia, conte como apoio da Comunicação Interna se possível.

6- Avalie os resultados.

Sempre!

 

Cuidado! 🚨

Fique atentx para não se distrair com o jogo e esquecer do conteúdo!

 

Por hoje é só, pessoal!

Gostou desse post? Ficou alguma dúvida? Deixa seu comentário!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *