Neurociência e aprendizagem

No final da semana passada estive no evento Encontros Nacionais de Gestão Estratégica – módulo sobre Neurociência promovido pela ABTD e gostaria de compartilhar com você alguns trechos interessantes do que ouvi por lá e insights que tive a partir de tudo isso.

A responsável pela abertura do evento foi a Inês Cozzo ❤️

De cara, ela entregou uma informação que acredito ser muito libertadora para os envolvidos em T&D:

o cérebro recebe cerca de 11 milhões de bits por segundo de informações, captando tudo em sua volta, mas apenas 40 bits vão parar na nossa consciência, ou seja, nossos alunos recebem 275 mil vezes mais informações do que são capazes de armazenar, neurologicamente falando.

Então, precisamos estar muito atentos à quantidade e à qualidade da informação que estamos entregando… e como traduzir isso para o nosso cenário:

– essa informação explica porque o microlearning está fazendo tanto sucesso

– quem atua como designer instrucional para cursos online já ouviu falar dos chuncks (entregar informação porcionada em 7 ± 2 de cada vez)… se você tinha dúvidas do por quê disso, a ciência explica 😉

– para quem atua no treinamento presencial, note quanta informação desnecessária pode haver na sala de aula, afinal tudo está comunicando algo e ocupando espaço nos 40 bits.

E por que eu disse que essa informação pode ser libertadora?

Bem, o desejo de quem prepara um curso é que, ao final, o aluno tenha aprendido tudo tudinho… mas se ele tem um cérebro – e não um processador – ele vai reter o que é mais significativo ou o que chamou mais a sua atenção naquele momento.

E isso nos traz mais um reforço: focar o conteúdo no que é realmente necessário para o aluno.

A Inês também deu uma outra informação incrível:

o cérebro capta just in case e libera a informação just in time

Mais um alento, não é mesmo?

No meu entendimento, isso quer dizer que não preciso selecionar os 40 bits que quero que o aluno guarde no cérebro – até porque isso seria impossível, já que cada um tem seu nível de percepção -, mas eu posso entregar a informação de várias maneiras, em vários níveis, e o cérebro vai captar e liberar quando for necessário, do ponto de vista do aluno.

Bom, isso foi só o comecinho do primeiro dia do Encontro.

Depois posso trazer mais insights… se você quer, comenta #falamais aqui nos comentários.

Agora me conta como você percebeu tudo isso que contei aqui… trouxe um conforto aí no seu coração T&D também?

8 Comentários


  1. Oi Soani, muito legal seu artigo.
    Percebo por ai que muitas pessoas – mesmo sem saberem estes dados neurocientíficos – procuram uma ‘bala de prata’ da aprendizagem… Aquilo que seja a ‘info mais importante’ do conteúdo, mas esquecem-se que isto é definido pelo usuário. Ele é quem juga a relevância, de acordo com seu momento, carreira, função e outros.

    Gde abs!

    Responder

  2. Maravilha!! É bem isso mesmo! Mas, Soani, explica mais sobre esse (entregar informação porcionada em 7 ± 2 de cada vez).
    Preciso saber mais a respeito. Muito obrigada!

    Responder

    1. Oi Janiele!
      São os chamados chuncks, servem para equilibrar a carga cognitiva que estamos entregando ao aluno em cada slide ou tela.
      Então, a ideia é que essas “porções” de conteúdo tenham entre 5 e 9 informações…
      Pense na maneira que você fala o seu CPF, provavelmente você agrupa alguns números em bloco ao invés de falar cada um dos 11 números, não é mesmo?
      Nos nossos cursos devemos pensar em agrupar as informações da mesma forma, para facilitar a assimilação por parte do aluno 😉
      Me avise se me fiz entender bem, tá bom?!
      bjs e obrigada por comentar <3

      Responder

  3. Oi Soani,
    Gostei do seu insight, #falamais ; )
    Eu, particularmente, fiquei pensando que é preciso criar materiais em múltiplas linguagens, em trilhas distintas, para que o usuário/aprendiz encontre seu caminho. E nesse sentido, para identificar quais aspectos foram incorporados só mesmo na interação e na avaliação.
    Quero refletir mais junto com você. Curti

    Responder

    1. É isso aí, Andrea!
      Quanto mais interessantes forem as experiências que propomos, mais os alunos se percebem parte e a a tendência é o fluir!
      Vamos juntas <3
      Obrigada por comentar
      Bjs

      Responder

    1. opa! então já já vem um post sobre níveis de consciência das empresas… tenho certeza de que você vai curtir!
      Abraço e obrigada por comentar <3

      Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *