Rapid learning: formato ou processo?

O cenário é o seguinte:

Segunda-feira, 9h da manhã, o cliente te liga desesperado porque saiu um novo procedimento que deve ser implementado imediatamente sob pena de multa do órgão regulamentador e ele precisa treinar toda sua equipe até o final da semana.

O que você faz?

  1. Senta e chora.
  2. Explica, com carinho, que isso é impossível.
  3. Para, respira e confere o post de hoje.

rapi learning

Passei por essa situação algumas vezes e quero dividir com você algumas dicas para lidar com essa situação. A primeira coisa é entender que sim, é possível desenvolver uma solução para atender seu cliente, mas para isso é importante estabelecer alguns acordos com ele e entender vantagens e desvantagens de usar o rapid learning.

Algumas pessoas entendem que rapid learning é o formato da solução de treinamento… pode ser, na medida que por ser rapid alguns formatos acabam sendo automaticamente excluídos, por exemplo, desenvolver um vídeo-rapid-learning com atores ou uma trilha-rapid-learning ou um rapid-game-learning… não vai dar não…

Meu foco quando falo de rapid learning está muito mais no processo do que no formato em si.

Me explico: em um processo em condições normais de temperatura e pressão você vai analisar conteúdo, entrevistar o especialista, entender a necessidade de treinamento, elabora roteiro, valida roteiro e por aí vai… mas nesse caso, o processo deve ser muito focado na velocidade da entrega, e isso leva ao primeiro ponto desse tema:

Parceria do cliente

A pressa do cliente é perfeitamente compreensível, muitas vezes a necessidade de treinamento surge devido a fatores externos e não avisam com antecedência a sua chegada, portanto o cliente deve ser muito parceiro nesse momento e trazer o conteúdo o mais redondo possível.

E, claro, não havendo muito tempo para conversa, o cliente precisa ser muito assertivo no seu briefing.

Em algumas empresas o próprio especialista desenvolve o curso sob supervisão do Designer Instrucional para garantir a qualidade do projeto nos assuntos pertinentes à sua função.

Como fica o processo no rapid learning

Já falei sobre o Modelo ADDIE em alguns posts aqui no blog… nesse caso aqui não vamos poder seguir o ADDIE direitinho, as etapas serão mais enxutas:

Análise: vai ficar curtinha, basicamente no entendimento da necessidade e dos prazos.

Design: provavelmente não vai dar tempo de elaborar roteiro e, se você usar alguma ferramenta de autoria, já vai desenvolver o curso diretamente aí… se o desenvolvimento acontecer com o apoio de fornecedor, daí tem roteiro (seu parceiro vai usar um template padrão para agilizar essa etapa).

Desenvolvimento: vai acontecer ali juntinho com o Design, tudo junto e misturado mesmo… o cliente pode validar o curso já elaborado sem passar pela validação de roteiro.

Implementação: turma piloto, nem pensar… homologa na plataforma e disponibiliza rapidamente para os alunos.

Avaliação: bom, aqui não deveria haver nenhum impacto. O ponto crítico era o prazo e o curso foi entregue, então é importante manter essa etapa e avaliar os resultados e a condução do projeto e vai ser muito bom se você puder registrar as lições aprendidas desse processo para que, quando aconteça novamente essa situação de urgência, você esteja ainda melhor preparada.

Custos

Geralmente ao optar por um rapid learning temos um investimento mais baixo mesmo, a não ser que seu fornecedor cobre um valor a mais como taxa de urgência.

Se essa situação ocorre com frequência aí na sua empresa, considere ter uma ferramenta de autoria que te apoie nesse tipo de desenvolvimento. Pode sair mais barato 😉

Vantagens e Desvantagens

O rapid learning proporciona o desenvolvimento de uma solução em curto prazo, a um custo relativamente baixo e que tira você da zona de conforto, te provocando a pensar de forma rápida e criativa.

Mas, por esses motivos, não tome o rapid learning como algo que pode ser feito porcamente… mas sim como um processo que vai te ajudar a ajudar seu cliente na necessidade urgente que ele trouxe para você.

Entretanto, justamente por tudo isso, é comum ver uma “tradução” de rapid learning  como “scormiza-o-PPT-e-pronto!”…. tá errado? De verdade, não entendo que seja errado, mas deve ser bem feito.

Se a única coisa que dá pra fazer é isso, ok… mas que seja bem feito! O PPT deve garantir as condições mínimas para uma boa experiência de aprendizagem; logo, não vale simplemsmete scormizar o PPT da ala presencial e deixar o curso online cheio de buracos ou com aquela tela de acordos de sala de aula, combinado?

Algumas dicas:

  1. Ser rápido não quer dizer de qualquer jeito… tenha um processo!
  2. Use templates prontos para ganhar tempo na elaboração do roteiro.
  3. Use um possível tempo ocioso para desenvolver alguns layouts curingas para o desenvolvimento interno.

 

Como você lida com demandas desse tipo, compartilha aqui nos comentários 😉

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